Muita gente hoje em dia faz parecer que comédia stand-up é coisa inventada agora, ou pelo menos recém-importada pro Brasil. Só que um magricelo e cabeçudo cearense de Maranguape já era refrência no estilo na década de 70: Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho.
Mas o brilho de Chico Anysio como comediante extrapolou todos os limites do stand-up, e ele virou uma das maiores referências do humor brasileiro. Além de produzir e dirigir diversos outros comediantes, criou dezenas de personagens, textos, quadros e músicas que alimentaram com risadas cinco décadas de rádio, folhetins, livros, shows e televisão.
Muito antes da Escolinha do Professor Raimundo, que marcou toda a década de 90 revelando grandes humoristas, ele levava seus textos à televisão em diversos programas e festivais. Nesse ótimo vídeo, Chico faz um show no Roquete Pinto em 1969, quando ganhou prêmio de melhor comediante:
O lançamento do DVD "Fantástico 30 Anos - Humor", em 2004, trouxe uma compilação de vários quadros de humor que foram ao ar no programa desde sua estréia. Entre eles, a excelente história contada por Chico Anysio da visita a seu amigo Bigode:
'Sob o signo da precariedade', de autoria do quadrinista, escritor e viadinho de plantão Arnaldo Branco, mostra-nos a verdadeira essência da produção artística brasileira.
É o que, em nosso saudoso santinho, foi colocado como 'estética da decadência'.
Está rolando o 3° Festival de Cenas Cômicas do Espaço Parlapatões. E pra mostrar que a gente tem o rabo preso com os caras, estaremos lá, pela terceira vez consecutiva com a cena Drama I (na divulgação saiu que faríamos o Pequeno Burguês, mas não vai dar, então faremos o Drama I.)
Incríveis são os mistérios que anuveiam a temática da mente humana. E incrível é o quanto não conhecemos picas nem figas sobre essa massaroca esponjosa que pesa no fim de nossa espinha, e nos dói quando a desidratamos com cachaça ou nos apaga quando entra em curto ao se chocar contra a parede de nossa caixa craniana.
Incrível também é quanto nossas ligações neurológicas produzem sensações diversas ao depararmos com situações que fogem de nossa gama comum de comportamentos e linhas de raciocínio que conhecemos.
O bizarro e a surpresa, o mistério incógnito, dá um nó em nossas tripas neurais de tal forma que sentimos até um certo prazer ao nos deparar com a bizarrice do alheio, da birutice dos outros, dos coxos dos miolos.
Pode ser por que numa situação dessas tiramos um tempinho para pensarmos em nosso nível de normalidade. “Ufa, não é comigo”. Ou mesmo, os mais empáticos, por achar graça de como nossa sanidade e interpretação da realidade estão à mercê de ligações e estímulos químicos e elétricos, além de uma porrada de outras coisas que não me arrisco a descrever simplesmente por que não compreendo também.
Algumas piadas têm sentido profundo e moral esclarecedor. Outras são proféticas, outras filosóficas. E o novo humor surge com uma proposta inédita: fazer rir! A democracia do fígado desopilado está agora ao alcance de todas nós, meninas. Desabotoem as braguilhas do marido e riam a valer!
Justamente no dia em que o Pirate Bay é julgado culpado em primeira instância pelos tribunais suecos, nós disponibilizamos mais conteúdo ilegal para a ululante juventude brasileira!
Após a primeira edição, eis aqui mais um scan da Casseta Popular, a famigerada revista que, junto ao Planeta Diário, deu início ao Casseta & Planeta!
Desde o século XV, Leonardo da Vinci já pensava em mecanismos fantásticos que possibilitariam o homem de voar.
E não era pra menos. Na época, em suas frequentes visitas aos cabarés da cidade, Leo teve a exata inspiração que precisava: os Magníficos Irmãos Porcini, dois renomados esquilos voadores que faziam grande sucesso na região da Toscana.
Quando o inventor conheceu os artistas, eles haviam acabado de lançar seu sexto clipe de aventura erótica em vôo livre:
A partir de então, a arte do vôo inspirada pelos esquilos evoluiu bastante, originando a ciência que conhecemos hoje como Esquilologia. As técnicas aprendidas renderam inúmeros frutos e inspiraram gerações.
Graças aos fabulosos e saudosos Irmãos Porcini, hoje qualquer um pode vestir suas asas de muxiba de nylon e flutuar por aí, levando a humanidade a um novo nível de flutuação existencial:
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