Ronaldo, a lenda do herói com meio joelho

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Ele está de volta.

O careca, o Cascão, o papa-traveco, o gordo, o dentão, está de volta. Assim como uma fênix que se levanta a alça vôo, o nosso carismático jaburu levantou-se do chão úmido do Pântano de Brokenknee, para cumprir seu papel na última parte da trilogia escrita sobre seu retorno.

Chubby-one voltou, para provar que ainda tem controle sobre a movimentação da pelota, e um raciocínio elaborado sobre a interpretação da reação alheia ante um movimento inesperado, mesmo com a fragilidade que permeia sua figura, onde a cada falta todos se relembram das imagens angustiantemente em câmera lenta de suas antigas contusões.

Mas deus é mais.

Afinal, o futebol e o povo brasileiro só ganham quando “o artista”, depois de brilhar em palcos das maiores casas do velho mundo, volta pra fazer o teatrinho que o elevou, o palquinho onde as taboas rangem e as placas de grama se soltam.

No entanto, charme mambembe a parte, já se mostra claro que serão necessárias adaptações e mudanças para que todos possam usufruir da arte de nosso gênio balofo.

No jogo contra o Palmeiras, onde completou sua primeira hora de vôo de volta aos campos da terrinha, Big Ronnie mostrou que seu estilo, mesmo que coberto por uma espessa capa de gordura, é inconfundível. Fintou, cruzou, chutou no travessão.

E ganhou, do randômico destino, um beijo molhado da Fortuna. De forma dramática, com aperto de toda uma nação de loucos irracionais, o escanteio aos 48 do segundo, a bola voando, a cara redonda meio displicente vendo sua trajetória, ele pensou “mais uma vez, é hora” e a bola encontrou sua mente. Um gol lendário. Festa na favela.

Mas o mambembe cobra seu preço. No calor da comemoração Ronaldo sobe no alambrado, para comemorar com a torcida fiel, ser recebido pelo amor do povo.

E a grade, querendo reverenciar o peso de um mito, se curva com suas pilastras de cimento frágeis. Plasticidade e dramaticidade incríveis.

Mas, pela segurança do rei-momo, isso não pode mais acontecer.

Por isso acredito mesmo que, assim como no basquete antigamente, quando surgiu a moda da enterrada, ou o Slam Dunk, onde as tabelas se partiam e explodiam com facilidade, em uma bela e decisiva chuva de cacos, os alambrados deverão ser reforçados, com bases mais maleáveis e ainda assim resistentes. (Não irei citar nomes de construtoras especiais, os responsáveis que façam o seu trabalho).

Por que o gorducho chegou no playground.

E ele vai subir a cada um de seus muitos tentos.

Cercados, tremei.
Por Galvian Fidelis.