Dilema histórico tem dias contados

Um roubo histórico, que marcou gerações de brasileiros. Um dos mais complexos e desdobrados crimes nacionais, que assombra nossos anseios e imaginação há quase 200 anos. Depois de muita investigação e tribulações, nada se sabe da verdade por trás dessa atroz ignomínia. E uma incalável pergunta permanece: quem roubou pão na casa do João?

Essa inconclusível situação sofreu uma expressiva reviravolta na última semana, trazendo novamente esperança e júbilo à estrutura jurídica do país. Uma das centenas de milhões de pessoas indiciadas conseguiu livrar-se definitivamente da acusação, através de uma fórmula matemática que já foi considerada incontestável pela comunidade acadêmica.

O Crime

O dilema começou quando um bandido desconhecido, não se sabe se homem ou mulher, roubou um valioso e aromático Pão de Semolina Nobre Guatemalteca, da casa de Dom João VI, rei de Portugal e Imperador do Brasil, quando ele visitava o país.
Dom João VI
Em fuga, quando abordado pela milícia real, o bandido utilizou uma artimanha inédita para escapar: iniciou uma hipnótica cantiga que prendeu os guardas e a sociedade toda, em uma cadeia contínua de acusações e despeito público. "Quem eu? Eu não!" - gritava o bandido fervorosamente, confundindo as mentes de seus perseguidores. E, com a cantiga posta em prática, a trama de acusações seguiu entre os guardas e depois em toda a cidade, deixando o bandido escapar ileso - sem que ninguém se lembrasse de sua identidade inicial.

"Eu não consigo me lembrar quem foi.... Só sei que acho que não fui eu... Mas também não tenho muita certeza.... Foi o Almeida!" - registra o depoimento de um dos primeiros guardas a flagarem o bandido.

Hoje, o processo judicial acumula mais de 12 bilhões de toneladas de arquivos, com depoimentos, testemunhos e provas inconclusivas. Gerações inteiras foram acusadas do crime e livradas em seguida, após indicarem um novo culpado.

A Revelação

Ele não roubou pão na casa do João.
A esperança veio quando o Dr. Seimon Alencar, PhD em Física do Boato e pós-doutorando em Matemática do Carma Criminal na Universidade de São Paulo (USP), concluiu em uma equação matemática que seguramente não havia sido ele, quem roubou o pão. Com o resultado, o doutor não foi impelido a acusar mais ninguém, fechando a primeira ramificação da cantiga em mais de 200 anos de efeito em cadeia. Sua fórmula baseou-se na constante "ni", que representa a relação variável de motivação menos empuxo, divididos por abstração absoluta.

Com essa nova ferramenta para desvendar o crime mais famoso do país, o Tribunal Superior de Justiça mostra-se esperançoso, e já contratou noventa mil meirinhos para aplicar a fórmula nos indiciados até o momento.
Por Dolores Patrícia Mignon.