Direitos autorais: Catupiry perderá nome

Os habitantes da cidade de Catupiry, MG, brigam na justiça pelos direitos autorais que lhe são devidos. A prefeitura da cidade está processando o cantor de fado Paulo Henrique Catupiry por ter processado o grupo de expressão folclórica Maracatu-Piry - que supostamente teria roubado seu nome artístico.

Os habitantes de Catupiry, MG, estão revoltados com a ação judicial movida pelo cantor, alegando que os direitos autorais sobre esse processo são da cidade há muitos anos: desde 1992, quando a Secretaria Municipal processou o Festival Paulista de Catira no Catupiry. Após esse litígio, já foram centenas de ações levadas aos tribunais, nas quais a cidade processou desde o monumento estadual amapaense Ode ao Catupiry; o grupo de funk contemporâneo Bonde do Catupiri-pirão; até a expressão idiomática "Catupiry de Cu é Rôula".

"Quem esse cantorzinho pensa que é? Ele não tem direito de processar Catupiry nenhum, esse processo é nosso! A ação está registrada no escritório de patentes processuais há quase uma década" - garante o vereador catupirense Muniz Pereira Lima.

Mas a contenda não para por aí. Os habitantes da cidade goiana Catumbiri perceberam o rentável filão judiciário e já estão na última instância de um processo junto à junta estadual para a mudança de nome do município para Catupiry, GO. Assim, eles poderão entrar também nas disputas e brigar pelo direito sobre o processo. "Em essência, a gente se sente como Catupiry, entende? De verdade. Somos genuínos catupirys, e queremos nosso nome de direito", desabafa o secretário catumbirense de Dispersão Pública, José Ruíz.

Os únicos que não se envolveram na disputa foram os índios catupirys, de Roraima. Sem dar bola à questão dos direitos autorais, continuam em sua reserva produzindo em larga escala seu requeijão cremoso tipo exportação - feito com leite fresco de indiazinhas e licor fermentado de babaçu.

Paulo e Prefeito Catupirys

Por Deneor Pitú.